The History of Cesca Chair: How Marcel Breuer Blended Steel and Handwoven Cane

A História da Cadeira Cesca: Como Marcel Breuer Combinou Aço e Palhinha Tecida à Mão

The Materials Journal · Edição 02

O tubo estava frio, por isso teceram-lhe uma pele mais suave

PUBLICADO POR PureBau Agosto 2026
NESTA EDIÇÃO
01 Uma estrutura emprestada de uma bicicleta
02 Porque é que a era mais industrial se rendeu à palhinha entrançada à mão
03 Uma invenção contestada: a quem pertenceu realmente o cantilever
04 Um termo que vale a pena conhecer: "Cesca"
05 A peça desta edição: a cadeira Cesca de palhinha
Marcel Breuer 1928 Cesca chair with handwoven cane seat in modern minimalist interior
01 · A ORIGEM DA ESTRUTURA

Um guiador de bicicleta começou tudo isto

Marcel Breuer chegou à Bauhaus em Weimar em 1920, um jovem de 19 anos que tinha abandonado o curso de pintura na Academia de Belas Artes de Viena. Ascendeu rapidamente — em meados da década de 1920 era o responsável pela oficina de mobiliário da escola, e foi aí, ao andar de bicicleta por Dessau, que o aço tubular lhe chamou a atenção. O material já era de confiança e produzido em massa para outra coisa completamente diferente: quadros de bicicletas. Se um tubo de aço podia ser dobrado para criar um guiador e aguentar o peso de um ciclista, raciocinou Breuer, poderia aguentar um corpo sentado numa cadeira.

Esse pensamento deu origem à Cadeira Wassily em 1925 — a primeira cadeira de aço tubular, batizada em homenagem ao colega de Breuer na Bauhaus, Wassily Kandinsky. Três anos depois, surgiu um problema mais difícil: seria possível dobrar o tubo numa linha contínua, sem pernas traseiras? A resposta foi a estrutura em cantilever que acabaria por receber o nome de Cesca.

02 · A SÍNTESE

Calor na Máquina: A palhinha entrançada à mão encontra o aço

Assim que a estrutura existiu, Breuer deparou-se com um problema diferente. Uma cadeira feita inteiramente de tubos de aço dava a sensação de se estar sentado dentro de uma máquina.

Por isso, tomou uma decisão que roçou a heresia para a época: combinar a estrutura mais vanguardista no mobiliário com um dos ofícios mais antigos que existiam — o entrançado de palhinha, uma técnica já com gerações no fabrico de cadeiras na Europa Central. O calor que a fábrica não conseguia produzir, a mão fornecê-lo-ia. Este é o verdadeiro credo da Bauhaus: não uma rejeição do artesanato, mas uma divisão de trabalho entre a indústria e a mão humana.

"Deixe um lugar numa estrutura fria que ainda possa ser tocado pela mão."
O MATERIAL, EM DETALHE

Um olhar mais atento sobre a palhinha antes de se tornar o assento que conhece:

Raw natural cane strands
Fios de palhinha natural
Hand-woven cane web pattern
Padrão entrançado à mão
Finished cane seat detail
Detalhe do assento acabado
03 · UMA INVENÇÃO CONTESTADA

A cadeira que Breuer nunca patenteou

A ideia do cantilever — uma cadeira que parece flutuar, sem pernas traseiras — não pertencia apenas a Breuer. Em 1927, o arquiteto holandês Mart Stam apresentou o seu próprio design em cantilever na emblemática exposição "Die Wohnung" de Mies van der Rohe em Estugarda, pouco antes da versão de Breuer entrar em produção. Breuer acreditava que Stam lhe tinha roubado a ideia; a Thonet, o fabricante austríaco que produzia ambos os designs, acabou no meio de uma disputa de patentes que durou anos.

Em 1932, os tribunais ficaram do lado de Stam. A patente do cantilever foi-lhe atribuída e, durante um período, os catálogos da Thonet reatribuíram o conceito estrutural da cadeira em conformidade. Breuer nunca chegou a patentear a sua versão — uma decisão que significou que ele recebia royalties de design da Thonet, mas sem qualquer direito exclusivo sobre a estrutura em si. É parte da razão pela qual variações próximas desta cadeira circulam há quase um século sob nomes diferentes, enquanto a peça produzida sob licença — a que hoje é chamada de Cesca — permanece a que está mais diretamente ligada à oficina do próprio Breuer.

DICIONÁRIO DE DESIGN

Cesca

Em 1928, esta cadeira tinha apenas um nome de fábrica: B32. "Cesca" chegou décadas mais tarde, quando o fabricante italiano Gavina começou a produzi-la e deu-lhe o nome em homenagem a Francesca, a jovem enteada de Breuer — um caso raro de um objeto produzido em massa que carrega discretamente um nome de família muito tempo depois do seu design estar concluído.

Cesca Cane Chair Reproduction
A PEÇA DESTA EDIÇÃO
Cadeira Cesca B32 com Palhinha — Reprodução
Estrutura em faia maciça · assento em palhinha entrançada à mão · estrutura cantilever
COMPRAR A PEÇA →
PRÓXIMA EDIÇÃO — 03
Pele
O aço era frio, a palhinha era suave — o material seguinte foi o único verdadeiro luxo que o minimalismo alguma vez se permitiu. Porque é que Mies van der Rohe insistiu na pele genuína, quando existiam alternativas mais baratas? A resposta tem mais a ver com poder do que com conforto.
NA PRÓXIMA SEMANA, À MESMA HORA →
Voltar para o blogue